Apareceu numa escola de Guimarães uma cobra rateira (Malpolon monspessulanus), o que gerou uma onda de reações dispares.

A presença deste animal no nosso concelho é natural já que a espécie ocupa uma grande variedade de habitats, podendo ser encontrada em áreas de mato, ruínas abandonadas, bosques, jardins, áreas agrícolas, entre outros.

A cobra rateira hiberna nos meses mais frios, estando mais ativa na época de reprodução que ocorre na primavera.  Este réptil é um aliado no controlo de pragas, a sua dieta varia consoante a idade, começando os juvenis por ser insectívoros, e gradualmente vão-se alimentando de animais maiores, tendo especial preferência por roedores.

Esta cobra é considerada o maior ofídio da Península Ibérica, pode ultrapassar os dois metros e viver mais de 25 anos. Apesar de produzir um forte veneno de características neurotóxicas, é inofensiva para o homem, pois os dentes inoculadores inserem-se na parte traseira das mandíbulas; o que significa que a cobra precisa de abocanhar a presa e mantê-la parcialmente engolida, por uns instantes, para que o veneno possa ser injectado e fazer efeito.

Ana Morais
Bióloga – Laboratório da Paisagem
Fotografia de Ricardo Nogueira, na aplicação móvel Biodiversity GO!