O concelho de Guimarães apresenta uma Pegada Ecológica de 3.66 hectares globais (gha) por cada cidadão e a biocapacidade do território é de 0.19 gha, de acordo com as conclusões do estudo apresentadas esta segunda-feira, 29 de outubro, por Sara Moreno Pires da Universidade de Aveiro, tendo por base os dados referentes a 2016.

A alimentação (29%) e os transportes (21%) são apontados como os setores que maior peso assumem nestes valores alusivos à Pegada Ecológica de Guimarães. “São indicadores que permitem avaliar a forma como nos alimentamos e também como nos movemos, conduzindo a alterações de hábitos e mudanças de políticas públicas”, ressalvou Sara Moreno Pires. Deste resultado, conclui-se ainda que em Guimarães, como no resto do País, é necessário introduzir hábitos de alimentação saudável e sustentável, bem como combater o desperdício alimentar.

Estas conclusões surgem no âmbito do projeto Pegada Ecológica dos Municípios Portugueses, que resulta de uma parceria estratégica entre a ZERO, a Global Footprint Network e a Universidade de Aveiro e tem três objetivos gerais: estimar a Pegada Ecológica e a biocapacidade dos municípios envolvidos (2018); debater com os cidadãos e partes interessadas dos municípios as implicações dos resultados e as opções de mitigação, com o auxílio de calculadoras online da Pegada Ecológica (2019); estudar e propor instrumentos e políticas que reforcem a coesão e equidade territorial com o objetivo de promover a gestão sustentável do território (2020). Os seis municípios pioneiros que integram o projeto são: Guimarães, Almada, Bragança, Castelo Branco, Lagoa e Vila Nova de Gaia.

No passado ano, 2017, Guimarães foi o primeiro e o único Município do País a apresentar o cálculo da sua pegada ecológica, e de acordo com estes últimos resultados está 7% abaixo da média nacional. No entanto “qualquer comparação feita deve ser com muitas cautelas, dado a existência de territórios muito industrializados e territórios rurais”, referiu Sara Moreno Pires.

O Presidente da Câmara Municipal de Guimarães marcou presença nesta sessão, reforçando o caminho da sustentabilidade ambiental. “Defendo o caminho do desenvolvimento sustentável no intuito de alterar esta realidade, e já temos vindo a trilhar esse caminho através de políticas públicas”.

Com este trabalho de medição e monitorização da Pegada Ecológica e da Biocapcaidade, Domingos Bragança identifica “um problema” e também “uma oportunidade”. O problema assenta pelo facto de Guimarães ser um território urbano, disperso e difuso, pouco agrícola e com uma atividade económica centrada no segundo sector. A este propósito, Guimarães fomenta o propósito de aumentar a biocapacidade do concelho, destacando o exemplo do Banco de Terras, promovendo o bom uso do solo e defende a agricultura biológica e orgânica.

No que diz respeito à mobilidade, Domingos Bragança aponta como prioridades os modos suaves, através de deslocações a pé, em áreas pedonais seguras e confortáveis e a mobilidade ciclável, através das ecovias e ciclovias que estão a ser criadas no concelho. Por fim, aponta a “mobilidade elétrica” quer no transporte público de passageiros como no transporte individual, assente numa “tecnologia que não é poluente” através da criação das infraestruturas necessárias, de uma eficaz rede de carregamento. Referente à área da Energia, o Município tem desenvolvido um conjunto de investimentos na eficiência energética, como é o caso da iluminação pública LED, na instalação de fontes de energia renovável nas escolas e criação de condomínios de calor nas habitações sociais.

Até março do próximo será instalado no website do Município uma calculadora ecológica que permitirá avaliar com maior precisão a Pegada Ecológica dos vimaranenses e avaliar o impacto de consumo da população, com melhor perceção em comparação com os dados recentes.

A sessão realizada esta no Laboratório da Paisagem, contou com as presenças do Presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança, a Vereadora do Ambiente, Sofia Ferreira, o Presidente do Laboratório da Paisagem, Jorge Cristino, com apresentação de Sara Moreno Pires, da Universidade de Aveiro e ainda Paulo Magalhães da ZERO e de Alessandro Galli, diretor do programa do Mediterrâneo da Global Footprint Network.

A Pegada Ecológica é uma metodologia reconhecida internacionalmente e desenvolvida pela Global Footprint Network que permite medir o impacto das nossas atividades de consumo nos recursos naturais do planeta. A metodologia pode ser aplicada a várias escalas, desde um individuo, cidade, região, país, até ao planeta Terra, comparando os recursos naturais usados para suportar um determinado estilo de vida com a capacidade dos ecossistemas para gerar esses mesmos recursos.