O concelho de Guimarães vai receber, em 2017, a primeira edição da ‘Guimarães LandArt – Bienal de Arte em Paisagem’, uma manifestação interventiva na paisagem que vai agregar, ao longo de uma semana, exposições de artistas que, fazendo uso dos quadros paisagísticos vimaranenses, expressam-se na natureza e com a natureza. As instalações artísticas formarão um mosaico paisagístico na geografia urbana de Guimarães, utilizando para tal os espaços públicos destinados à intervenção artística.

«Juntar o ambiente e a cultura faz todo o sentido num território que foi Capital Europeia da Cultura em 2012 e que está a trabalhar na candidatura a Capital Verde Europeia 2020! O LandArt em Guimarães é um projeto que demonstra a estratégia que a Câmara Municipal tem para o concelho, articulando a cultura com a paisagem», referiu José Bastos, Vereador do Município, na sessão de apresentação realizada durante o Seminário Internacional de Arte e Paisagem, que termina este sábado, 09 de abril, no Laboratório da Paisagem.

Na cerimónia, que serviu para apresentar e discutir abordagens emergentes entre as diversas formas de arte e paisagem, estiveram igualmente presentes o Diretor Executivo do Laboratório da Paisagem, Carlos Ribeiro, o Diretor Artístico do CIAJG – Centro Internacional das Artes José de Guimarães, Nuno Faria, a professora da Universidade do Minho, Ana Francisca de Azevedo, e o coordenador do evento, o investigador de Geografia do Laboratório da Paisagem, Ricardo Martins.

Com a ‘Guimarães LandArt – Bienal de Arte em Paisagem’, o Município e o Laboratório da Paisagem pretendem proporcionar experiências de contacto com a natureza, cuja materialização artística reflita uma aprendizagem prática, válida e inovadora em assuntos ambientais. Nesse sentido, a primeira edição da bienal permitirá que os cidadãos possam apresentar propostas artísticas complementares ao evento, com o objetivo de enriquecer culturalmente Guimarães e apelar a uma consciencialização ambiental da população.

Da mesma forma, pretende-se integrar as políticas do quotidiano, a ciência e a arte, dar ênfase aos elementos sociais e culturais na transformação intelectual e artística e promover formas de expressão artística alternativas, desenvolvendo a ética e cidadania ambiental em conjugação com a consciência artística, ao mesmo tempo que se potencia o espírito de iniciativa artística.

A natureza como manifestação artística
Uma LandArt é um movimento cultural que preconiza o regresso à natureza onde as criações artísticas utilizam o espaço exterior como suporte, tema ou meio de expressão. Trata-se de uma forma de arte efémera não necessariamente passível de exposição em museus ou galerias, sendo caracterizada por ser uma forma de expressão em terreno natural, objetando este modo de fazer arte a dissolução da noção de objeto artístico.

Como ferramenta de mediação da sua forma e duração finita, são os métodos de prova documental (fotografia, vídeo, desenho ou texto) que garantem a vida da instalação artística. Em particular, a LandArt auspicia a fruição do “natural” e a descoberta de novos temas e produções culturais, impulsionando a criação de espaços de contaminação e interação da população em comunhão com o ambiente físico.