O Laboratório da Paisagem de Guimarães inaugura na próxima segunda-feira, às 17h30, o Tempo 3 da exposição “O Verde a Preto e Branco”, da Coleção de Fotografia da Muralha. Até 3 de novembro, os visitantes poderão ver a exposição que tem como tema “As Vindimas”, com enfoque nas imagens das vinhas de enforcado e da particularidade do trabalho que elas convocam.

O Verde a Preto e Branco é uma exposição da Coleção de Fotografia da Muralha (CFM) para o ano de 2017, que já mostrou outros trabalhos no Hotel da Penha, encontrando-se ainda patente, com novas fotografias, no GuimarãeShopping.

De entre os 5646 clichês fotográficos foram selecionadas e estudadas algumas imagens da CFM e produzidos os textos que enquadram o propósito da exposição. As imagens dialogam através da paisagem de Guimarães, dos seus locais emblemáticos nas primeiras décadas do século XX, do desenvolvimento do espaço urbano e da ligação desse mesmo espaço público aos elementos, da relação do homem com a natureza que o envolve e que ele vai moldando ao longo do tempo. Nas imagens da exposição revela a tensão entre o crescimento urbano e o espaço natural pré-existente, entre os lugares emblemáticos e a integração de uma flora citadina nesses mesmos locais, o condicionamento da cidade e das vilas de Guimarães às noções de estética próprias de cada tempo. Algumas das quais ainda hoje perduram. Na linha conceptual das exposições anteriores – O Trabalho (2014), A Celebração (2015), Na Cidade e Álbum de Família (ambas em 2016) – selecionam-se as imagens e convidam-se autores para que sobre elas especulem e nos tragam novos elementos de evolução do espaço físico da cidade, das suas vilas e aldeias, da Penha, para um enquadramento histórico das imagens.

O Verde a Preto e Branco resulta de uma parceria entre a Muralha, associação de Guimarães para a Defesa do Património com o Cineclube de Guimarães, com o apoio do Guimarãeshopping, da Câmara Municipal de Guimarães, da Irmandade da Penha, do Laboratório da Paisagem e do Museu de Alberto Sampaio.

As imagens imagens mais antigas de O VERDE A PRETO E BRANCO datam do final do século XIX e atravessam as primeiras décadas do século XX sendo parte integrante da CFM. A autoria da maior parte das imagens atribui-se ao fotógrafo Domingos Alves Machado (1882-1957), proprietário das primeiras casas fotográficas em Guimarães – a Foto Moderna e a sua antecessora Foto Elétrica Moderna – e envolveram em um cuidado projeto de digitalização de suportes fotográficos antigos, os negativos, compostos por clichês fotográficos em que o vidro é o suporte de uma película composta por uma gelatina própria com brometo de prata que é fotossensibilizado no processo de fotografia, bem como um estudo contínuo de datação e identificação de pessoas e factos. A equipa responsável pela exposição foi constituída por Alexandra Xavier, Manuel Miranda Fernandes, Miguel Oliveira, Nuno Vieira e Rui Vítor Costa. Os textos são de Maria José Meireles, António José Oliveira, Manuel Miranda Fernandes e António Amaro das Neves.